Leite materno está contaminado em 51 cidades de Estado

MT pode ser palco de um grave problema de saúde pública e Diamantino esta em fase de estudos preliminares.

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola Brasileira, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 28,8% da soja produzido no país em 2013 saíram de Mato Grosso. Outras commodities, como milho e algodão, também referendam esta liderança – que pode ter um custo alto para as famílias do Estado. 

Os agrotóxicos, utilizados para maximizar essa produtividade, representam uma ameaça para a saúde da população e já foram encontrados no leite materno de mulheres de 51 cidades mato-grossenses. A informação é do médico e docente/pesquisador do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Wanderlei Antônio Pignatti, em entrevista exclusiva ao Circuito Mato Grosso. 

De acordo com o especialista, que participa de um grupo de trabalho interinstitucional, municípios de várias regiões do Estado sofrem não apenas com a contaminação do leite materno “mas da carne, do ar, da água e dos alimentos”. O estudo, que se encontra em fase preliminar, está sendo feito em cidades das regiões de Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Diamantino. 

Questionado se nesses 51 locais seria possível afirmar que há agrotóxicos no leite materno que amamenta os bebês, ele é taxativo. “Sim e existem estudos internacionais que também comprovam essa possibilidade de contaminação, uma vez que os agrotóxicos estão no ar e nos alimentos. 

Estas substâncias tóxicas se alojam nos 2% de gordura de que é composto o leite materno e são consumidas sim pelos bebês”, diz ele. Pignatti explica que agrotóxicos “são venenos utilizados na agricultura” e compreendem os “inseticidas, herbicidas, fungicidas e maturadores de secante”. Todos são perigosos, com classificação entre 1 (“extremamente tóxico”) até 4 (“pouco tóxico”) e que o termo “defensivo agrícola”, utilizado por alguns produtores para “amenizar” o termo de substâncias tóxicas utilizadas nas plantações “não existe”. 

Dados do estudo Agrotóxicos e seus Custos Socioeconômicos na Saúde, no Ambiente e nos Alimentos, apresentado numa audiência pública do dia 15 de julho de 2014 na Câmara dos Deputados, sob a coordenação do pesquisador da UFMT, aponta que apenas em 2012 as lavouras brasileiras utilizaram 1,04 bilhão de litros de agrotóxicos, fazendo do Brasil o campeão mundial de consumo dessas substâncias. 

Dentro do país, a unidade federativa que mais utiliza esses componentes tóxicos é Mato Grosso, atingindo a marca de 140,23 milhões de litros nas plantações em 2012, ou 20% do total desses produtos usados no Brasil. São Paulo ficou em segundo com 18%, seguido do Paraná, com 11%.

Circuito Mato Grosso