Mato Grosso é exportador nº 1 de diamante

Há três anos o número de licenças era de 32 no Estado e estavam na lista Diamantino, Nortelândia, Guiratinga, que obteve em torno de 15% do valor comercializado no ano de 2011

Primeiro lugar no ranking de exportação e produção de diamante no Brasil, Mato Grosso comercializou em 2013 um total de R$ 3.357.086, o que equivale a 38.895 quilates, segundo dados do relatório anual de lavra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM-MT). 

Trata-se do único mineral no Estado exportado, cujo destino é a Europa, caso da Bélgica, mas também vai para Emirados Árabes Unidos, EUA, Índia e Israel, centros de lapidação e comércio de diamantes. 

São diamantes predominantemente brancos, pedras com alto teor de pureza, que são as de maior valor, ou com tonalidade amarelada, ou cinza. Com qualidade gemológica, ou seja, lapidável, as pedras se assemelham aos famosos diamantes de Roosevelt, avalia o geólogo e especialista em pedras preciosas (gemólogo) do DNPM Amós de Melo Oliveira. 

Segundo ele, a mineração em terras indígenas é expressamente proibida no Brasil e a de Roosevelt teve uma intensa extração de diamante entre os anos de 1999 a 2004, quando foi fechada, após a morte de 29 garimpeiros. Eles foram assassinados na região, que compreende os estados de Rondônia e Mato Grosso, por desentendimentos com os índios cinta-larga, em virtude do tesouro que aflora nessas terras. 

Apenas o município de Juína não possui a qualidade do cobiçado diamante de Roosevelt. Mesmo sendo o montante considerado insignificante para o mercado internacional, a produção no país está aumentando, ao avaliar que em 2009 a exportação brasileira foi de US$ 2 milhões, 35,9 mil quilates, e no ano passado o Brasil exportou legalmente US$ 6,1 milhões em diamante bruto, ou seja, 44,3 mil quilates. Um quilate é o equivalente a 200 miligramas. 

Diamante bruto só pode sair do país com certificado Kimberley, o CPK, emitido pelo DNPM. Se forem de áreas não legalizadas, não são, em tese, certificados. E o Estado de Mato Grosso possui atualmente 20 licenças: uma no município de Alto Araguaia, outra em Rondonópolis, nove em Poxoréu e mais nove em Juína, único município que obteve resultado na exploração em 2013. 

Há três anos o número de licenças era de 32 no Estado e estavam na lista Diamantino, Nortelândia, Guiratinga, que obteve em torno de 15% do valor comercializado no ano de 2011, além de Itiquira, Ribeirãozinho, Alto Paraguai e até mesmo Chapada dos Guimarães. Amós aponta que há diamantes também nos municípios de Tesouro, Paranatinga, Alto Paraguai e Arenápolis. 

O país é participante do Sistema de Certificação do Processo Kimberley, que regulamenta, com a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU), o comércio internacional de diamantes brutos e exige de seus signatários medidas para garantir que suas pedras sejam extraídas somente de áreas legalizadas.

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