"Pensei que iria morrer a todo momento”, diz um dos pilotos


Evandro Rodrigues e Rodrigo Frais, no momento em que desembarcaram no Aeroporto Marechal Rondon

O piloto Evandro Rodrigues de Abreu e o copiloto Rodrigo Frais Agnelli falaram, durante 15 minutos, com a imprensa nesta quinta-feira (30), após pousarem no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande.

Ambos descreveram que os 40 dias em que estiveram desaparecidos foram vividos com "muito sofrimento".

Eles foram localizados em Guajará-Mirim (RO), cidade brasileira que faz divisa com a Bolívia.

"Não consegui pensar em computador ou celular. Só na minha família e em como conseguir voltar. Pensei que iria morrer a todo o momento", disse Evandro.

Os dois também descreveram como foi o tempo que passaram com os traficantes - segundo eles, brasileiros - que sequestraram o avião.

“Eram dois sequestradores e eram brasileiros. Apontaram armas para nós apenas na decolagem. Não fomos maltratados, nem verbal e nem fisicamente. Durante esse tempo, ficamos em rancho, casas, fazendas”, disse o piloto Evandro. 


"Eram dois sequestradores e eram brasileiros. Apontaram armas para nós apenas na decolagem. Não fomos maltratados nem verbal e nem fisicamente"

Ainda, segundo Evandro e Rodrigo, eles pediram para sair do cativeiro, prevendo que, durante negociação da venda do avião entre traficantes, algo poderia dar errado.

“A gente pediu para sair. Nisso, um dos sequestradores disse que era para gente seguir nosso coração e começamos nossa caminhada”, disse o copiloto Rodrigo. 

Após a liberação por parte do grupo, eles andaram cerca de três horas. “Andamos e não pedimos ajuda pra ninguém por medo. Ali é uma região só de traficantes. E se alguém soubesse que a gente estava saindo e quisesse fazer algo? Por isso, preferimos andar e pedir carona só depois de 50 km à frente”, contou Rodrigo. 


"No caminho, tivemos que parar várias vezes, porque não tinha água e estava muito quente. Descansávamos nas sombras que encontrávamos"

"No caminho, tivemos que parar várias vezes, porque não tinha água e estava muito quente. Descansávamos nas sombras que encontrávamos", explicou Rodrigo.

Interpol

O deputado estadual José Riva (PSD), dono do avião roubado, afirmou, durante entrevista no aeroporto, que a Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) já teria sido avisada do provável local onde o King Air roubado estaria.

“Só não pega se não quiser”, afirmou o parlamentar.

Riva, assim como a esposa Janete e a família dos pilotos sequestrados, aguardaram no local a chegada de Evandro Rodrigues de Abreu e Rodrigo Frais Agnelli.

O deputado também afirmou à imprensaque o trabalho das polícias não surtiu efeito neste caso, pois as vítimas só conseguiram escapar por um desentendimento entre os sequestrados. 

Ainda conforme Riva, investigar um crime em solo estrangeiro é muito mais difícil.

Mídia News

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