Pai de bebê jogado em matagal pela mãe diz que quer ficar com a criança

Pai da recém-nascida abandonada em um matagal há sete meses, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá, o técnico em informática Josmar Lara Costa, de 29 anos, disse que o maior sonho dele é conseguir ficar com a filha, que está sob a guarda provisória da família adotiva. A menina foi encontrada suja de fezes e com fome em um local usado como depósito de lixo pelos moradores, após ser deixada pela mãe dela, que, segundo o marido, passou a fazer tratamentos psicológicos e psiquiátricos.
À princípio, a Polícia Civil apurou suposta participação de Josmar no crime, mas ao final do inquérito concluiu que a vendedora de 29 anos planejou tudo sozinha. O técnico em informática disse não entender o comportamento da mulher, que, segundo ele, sempre foi uma boa mãe para os outros três filhos do casal. "Estamos juntos há 12 anos e nunca imaginei que ela pudesse fazer isso. Não sei porque ela fez isso, nem ela sabe explicar", afirmou.
Durante as investigações, a mulher dele contou à polícia que o marido havia a ameaçado caso ficasse grávida novamente. Porém, Josmar alegou ter comentado com a vendedora que eles não poderiam ter mais filhos, somente porque já tinham três. "Nunca imaginei que esse comentário pudesse ter consequências tão sérias", pontuou o pai do bebê. Ele disse que, por orientação do advogado, não entrou com pedido na Justiça para ficar com a filha e que a esperança é que os avós maternos da criança consigam a guarda. Com isso, ele poderá ter contato com ela. O pedido dos avós tramita na 1ª Vara Cível da Comarca daquele município.
Nos nove meses de gravidez, Josmar teria desconfiado de que a mulher estivesse esperando um bebê, mas que ela sempre negava ao ser questionada. Além disso, segundo ele, a barriga dela não teria crescido muito. "Tem até uma foto de quando fomos para o Rio de Janeiro e ela estava de biquíni na praia. Já estava grávida e não aparentava", contou. A mulher estaria com depressão e, por isso, teria escondido a gravidez. "Ela estava triste [durante a gravidez e depois] mas eu pensava que fosse cansaço do trabalho".
No dia em que a mulher fez o parto sozinha no banheiro de casa, ele estava trabalhando. Josmar disse ter saído à noite para atender um cliente e quando voltou, de madrugada, a mulher alegou que estava menstruada. Na manhã seguinte, ela acordou cedo e falou que iria ao mercado. Contudo, nesse momento, teria ido jogar o bebê no matagal. Quando a mulher chegou em casa, o marido já tinha saído para o trabalho. Naquele dia, a vendedora foi trabalhar normalmente.
Dois dias depois, a polícia identificou o carro dele pelas imagens capturadas pelas câmeras de segurança da rua onde o bebê havia sido abandonado e o intimou para ir até a delegacia prestar esclarecimentos. A mulher dele também foi ouvida e, durante o interrogatório, confessou ter abandonado a filha. "No momento que soube já quis ir atrás da minha filha. Fui até o Conselho Tutelar e falaram que era para eu ir em uma audiência com a juíza. Fui no Fórum, esperei a tarde toda, não fui ouvido e depois recebi a informação de que a minha filha tinha sido entregue para outra família que queria adotá-la", relatou.
A mulher dele foi indiciada pela Polícia Civil por tentativa de homicídio qualificado pelo abandono da criança. O inquérito sobre o caso foi concluído no dia 26 do mês passado e encaminhado à Justiça. De acordo com a delegada Mariell Antonini Dias, da Polícia Civil, ela planejou o crime. "Ela arquitetou tudo sozinha. Durante os nove meses de gravidez, não contou a ninguém que estava grávida", disse.
O Ministério Público Estadual (MPE) já recebeu a denúncia e o processo começou a tramitar na 1ª Vara Criminal de Cáceres. A polícia não pediu a prisão dela, pois, segundo a delegada, ela não representa risco, já que possui residência e emprego fixo.
Conforme a delegada, durante a gravidez, a mãe agia como se não estivesse grávida e não apresentou qualquer sintoma de que estivesse grávida. "Ela ia trabalhar de salto alto e, nesse período, trabalhou normalmente. Os colegas de trabalho disseram que não desconfiaram que ela estivesse grávida", contou.
A polícia fez busca e apreensão na casa da vendedora e encontrou algumas evidências de que a criança teria nascido no local, como, por exemplo, uma lâmina, fios de cabelo e um absorvente que a mãe havia usado.
Depois de quase uma semana internado em um hospital filantrópico de Cáceres, o recém-nascido recebeu alta hospitalar e foi encaminhado para um abrigo da cidade, onde ficou por alguns dias até a Justiça conceder a guarda provisória para uma família que estava na lista de adoção. 
A decisão de encaminhar o bebê à família foi da juíza Leilamar Aparecida Rodrigues, da 1ª Vara Cível da Infância e Juventude de Cáceres, como parte de uma medida protetiva à criança.
Do G1 MT

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