PF faz operação em MT, SC, PR e RS para prender 52 por fraudes agrárias

Cinquenta e dois mandados de prisão preventiva e 146 de busca e apreensão devem ser cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (27) em Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, durante a operação Terra Prometida. As investigações começaram em 2010 e idenficaram irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária. Entre os integrantes da organização criminosa estão oito servidores públicos, conforme a PF. A fraude está avaliada em R$ 1 bilhão.

Os mandados devem ser cumpridos em Cuiabá,Várzea Grande, na região metropolitana da capital, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso,Tapurah e Campo Verde. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Diamantino. A operação conta com a participação de 350 policiais federais.
 A estimativa da PF é de que 80 fazendeiros tenham ocupado cerca de mil lotes da União. Um deles teria obtido 55 lotes e regularizado essas áreas com o apoio de servidores do Incra.
Segundo a PF, a organização atua fortemente nas regiões de Lucas do Rio Verde e Itanhangá, a 360 e 447 km da capital, em crimes de invasão de terras da União e contra o meio ambiente. Fazendeiros, empresários e grupos ligados ao agronegócio usam da influência e poder econômico para aliciar, coagir e ameaçar outros pessoas para obter lotes.
Usavam da força física para invadir terras ou comprar a preço baixo e depois, com o auxílio de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e servidores das câmeras de vereadores e das prefeituras desses municípios buscavam regularizar a situação do lote. 
Para a manutenção do comércio ilegal de terras da reforma agrária, a quadrilha teria usado documentos falsos, feito vistorias simuladas, fraudado termos de desistência e até mesmo inserido dados falsos no sistema de informações de Projetos de Reforma Agrária do Incra, permitindo que latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.
Confome a PF,  o esquema era operado, basicamente, por pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhangá e ao serviço social da prefeitura municipal daquele município, que elaboravam listas com nomes de 'laranjas' que, em nome de fazendeiros, falsificavam 'cartas de desistência' e declaração de aptidão ao Incra.
Depois disso, servidores do Incra faziam  uma vistoria fictícia para comprovar a posse dos 'laranjas', que após cadastrados no sistema do órgão, eram homologados e emitidos na posse. Entretanto, quando o documento do Incra era emitido, o fazendeiro já estava ocupando e produzindo nas parcelas reconcentradas.
Do G1 MT

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