Desenvolvimento humano em MT avançou mais de 61% em 19 anos

Em um intervalo de 19 anos, o desenvolvimento humano medido no estado de Mato Grosso registrou avanço de mais de 61%, deixando a condição de "muito baixo" para patamares considerados "altos". A avaliação é uma das constatações do mais atualizado mapeamento da qualidade de vida no Brasil feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).
De acordo com a pesquisa que avaliou o avanço na qualidade de vida dentro dos municípios mato-grossenses, o IDHM médio do estado em 1991 era de 0,449, pontuação que revelava nível de desenvolvimento considerado muito baixo, conforme a metodologia do índice. Já em 2010, último ano-base da medição, o estado apresentou média de IDHM de 0,725, pontuação já situada dentro da faixa de desenvolvimento humano considerado alto, segundo os padrões do índice. O avanço foi de exatos 61,47%.
A metodologia do IDH foi concebida para orientar as políticas de inclusão social e de desenvolvimento em todo o mundo. Em contraste com o Produto Interno Bruto (PIB), índice utilizado para análises econômicas, o IDH tem foco na qualidade de vida humana, classificando-a de 0 a 1 em cinco faixas: desenvolvimento muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto. O cálculo foi criado em 1990 para o Relatório do Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDHM é uma adaptação do índice para cálculo de indicadores de qualidade de vida dentro dos municípios.
Avanço
A evolução do IDHM médio de Mato Grosso acompanhou e superou a evolução da média do mesmo índice para o Brasil todo, que passou, de 1991 a 2010, de 0,493 para 0,727. No país todo, o IDHM avançou 47% no período.

No ranking de desenvolvimento humano nacional, Mato Grosso conseguiu galgar duas posições desde 1991 e agora está na 11ª colocação entre os 27 estados e o Distrito Federal. O topo da lista é ocupado pelo Distrito Federal (com IDHM de 0,824) e o último lugar é do estado de Alagoas, com IDHM médio de 0,631. Por outro lado, além de ser superado pelo Distrito Federal, Mato Grosso também perde para os demais vizinhos da região Centro-Oeste neste ranking - Goiás está na oitava colocação (0,735) e Mato Grosso do Sul, na décima (0,729).
Em 1991, nenhum município de Mato Grosso podia ser considerado sequer de médio desenvolvimento humano. Com exceção de sete municípios (Cuiabá, Lucas do Rio Verde,Campo Verde, Sorriso, Diamantino, Primavera do Leste e Sinop, considerados de baixo desenvolvimento humano), todo o estado era avaliado como de desenvolvimento muito baixo – com pontuações de IDHM entre 0 e 0,499.
Em 2010, o estado deixou de possuir municípios dentro da faixa de desenvolvimento muito baixo. Segundo o Ipea, com base nos dados daquele ano, o estado passou a ter apenas três municípios de baixo desenvolvimento (Campinápolis, Nova Nazaré e Porto Estrela).
Categorias inexistentes até 1991 no estado, os municípios de médio e alto desenvolvimento humano passaram a figurar com 91 e 47 representantes, respectivamente. A capital Cuiabá é a que detém a melhor pontuação de IDHM em Mato Grosso e se situa entre os 100 melhores IDHM do Brasil.
Educação, longevidade e renda

Em seu cálculo, o IDHM leva em conta indicadores de qualidade de educação, de renda e de longevidade da população. Tanto no caso de Mato Grosso quanto no do Brasil, o avanço detectado nos 19 anos abrangidos pelo levantamento foi alavancado sobretudo pelas melhorias obtidas no quesito educação, segundo o Ipea.

Todos os percentuais referentes à qualidade da educação da população de Mato Grosso passaram por significativos crescimentos entre 1991 e 2010, como a proporção de pessoas maiores de 18 anos com ensino fundamental completo (de 24,7% para 53,2%), de crianças de cinco a seis anos frequentando a escola (de 25,7% para 86,8%), de crianças de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental (de 33,9% para 85,8%), de alunos de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo (de 15,6% para 62,1%) e de alunos de 18 a 20 anos com ensino médio completo (de 8,3% para 42,3%).
Por sua vez, ao longo de 19 anos a longevidade média da população também empreendeu salto significativo. A expectativa de vida média ao nascer em 1991 era de 64,2 anos e passou para 74,2 anos em 2010. Já a renda per capita deu um salto superior a 92%, saindo de R$ 395,34 em 1991 para R$ 762,52 em 2010.
Fonte: G1

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