Oficina com jornalistas

               A difícil relação entre as produções científicas das universidades e a divulgação dos resultados destas pesquisas na mídia foi um dos temas debatidos na oficina “O papel dos meios de comunicação diante da escassez de água”, durante o Fórum Áreas Úmidas e Escassez Hídrica no Berço das Águas, realizado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) entre os dias 04 e 06 de novembro.
             Participaram da mesa redonda os jornalistas Onofre Ribeiro, Josana Salles, José Porto e Luiz Patroni, que atuam em diferentes veículos de comunicação e assessorias de imprensa de Mato Grosso há décadas. O biólogo membro da Organização Não-Governamental (ONG) ambiental WWF Angelo Lima e o superintendente de recursos hídricos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Nédio Pinheiro, também estiveram à frente da oficina expondo dados e informações sobre o manejo da água no Brasil e no Estado.
             De acordo com Angelo, a imprensa mato-grossense tem vários desafios no que tange a abordagem de pautas relacionadas à água; dentre eles, a divulgação de bons exemplos de práticas ambientais que tem surtido efeitos positivos pode ser uma tendência interessante para os tempos de crise da comunicação. “A comunicação pode mostrar que exemplos que estão dando certo, como mudanças no manejo do solo, podem valer a pena”, defende.
            A jornalista Josana Salles reforçou o levantamento do biólogo defendendo que os bons exemplos podem ser divulgados na imprensa de forma que mobilize as pessoas a pensarem nas questões imprescindíveis de proteção à água e não mais criando um “terrorismo” diante de uma possível falta generalizada. “Eu defendo coisas mais otimistas, que divulguem o que tem sido feito no reflorestamento de rios, recuperação de matas ciliares, por exemplo”.
           O jornalista Onofre Ribeiro defendeu que a imprensa mato-grossense não dá prioridade para o assunto da crise hídrica talvez pelo fato de os jornalistas serem essencialmente urbanos. “A imprensa não está motivada a tratar desse assunto. Nossa mídia não acordou ainda”, ressaltou Onofre.

          Como proposta do biólogo Angelo Lima, da ONG WWF, novos encontros que aproximem a comunicação com trabalhos científicas de universidades e instituições ambientais serão promovidos em Cuiabá em breve, no intuito de alinhar as duas áreas e levar conhecimento à sociedade de forma concreta, compreensível e consistente.

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