Mato Grosso elimina 3,105 mil vagas

Vinícius Bruno, repórter de A Gazeta

O mercado de trabalho mato-grossense segue em decréscimo e registrou saldo negativo de 3,105 mil vagas em abril, resultado do maior número de demissões (32,001 mil) sobre as contratações (28,896 mil). No acumulado de 12 meses encerrados em abril, o saldo de empregos formais em Mato Grosso está negativo em 18,130 mil, volume 59,8% maior que em igual período de 2015, quando estava em 7,281 mil no mesmo período. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (25), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O setor do agronegócio foi o que apresentou o pior saldo negativo em abril, com 2,872 mil demissões a mais que contratações, sendo 8,585 mil vagas antes 5,713 mil, respectivamente. O diretor administrativo financeiro da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Nelson Luís Piccoli, explica que o volume de demissões é resultado do intervalo que decorre entre o plantio e colheita do milho, segunda safra, que começa a ser colhido este mês.
“Contudo, se o governo federal não viabilizar o custeio da próxima safra de soja que começa a ser preparada em outubro, vamos ter um número maior de demissões nos dois meses que ocorrem entre o fim da colheita de milho e o início do plantio de soja”.
Piccoli explica que durante o intervalo de entresafra, os trabalhadores podem ser mantidos se houver a viabilização de financiamento junto às instituições financeiras estatais. Contudo, tudo via depender de medidas governamentais para que os aportes bilionários garantam a manutenção do estoque de empregos no Estado, dentro do setor agroeconômico.
O comércio é segmento que apresentou o segundo pior saldo negativo durante o 4º mês deste ano, com 1,048 mil demissões a mais que contratações. Resultado de 8,012 mil vagas formais preenchidas ante 9,060 mil vagas celetistas extintas.
Para o superintendente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT), Evaldo Silva, a situação para o setor deve agravar daqui para frente. “Estamos em um período de transição, no qual está em evidência a crise econômica nacional, que reflete na total falta de confiança da cadeia produtiva, em geral. Todavia, outra crise de confiança se instala em Mato Grosso, com a aproximação da entrada em vigor do Decreto 380”.
O referido decreto passa a valer em julho e trata de alterações na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em Mato Grosso. “O governo tinha garantido que só colocaria em prática o decreto a medida que houvesse negociação com o setor comercial, mas, não houve nenhuma evolução neste sentido. Se isso acontecer, mais uma vez vamos colocar em risco o desempenho do comércio mato-grossense. O governo precisa colaborar em tempos de crise e não piorar”, pontua Evaldo Silva.
Outro setor que apresentou saldo negativo em abril é o de serviços, com 79 demissões a mais que contratações. O resultado advém de 7,722 mil contratações contra 7,801 mil desligamentos. Contudo, o saldo do setor de serviços acumulado em 12 meses está positivo, com 972 admissões (103,998 mil vagas) a mais que demissões (130,026 mil vagas).
Por sua vez, o mercado de trabalho sustentado pelas indústrias apresentou saldo positivo em abril com 719 contratações a mais que demissões. O valor é resultado de 4,174 mil vagas celetistas criadas ante 3,455 mil vagas extintas. Contudo, no acumulado dos 12 meses encerrados em abril, o saldo negativo de empregos na indústrias é o mais elevado entre os setores econômicos, com 8,112 mil vagas, sendo que no período foram 48,946 mil vagas formais contabilizadas contra 57,058 mil vagas subtraídas.
Para o presidente da Associação dos Empresários do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), o cenário econômico nacional ainda apresenta instabilidade. “Penso que as medidas econômicas anunciadas pelo presidente interino Michel Temer (PMDB) devem surtir efeitos ainda este ano, sendo a principal delas uma leve recuperação da confiança dos empresários e dos consumidores. Mas deve ficar claro que ainda faltam políticas econômicas de incentivo para a integral recuperação econômica do país”.
Já o setor da construção civil teve um saldo positivo de 119 contratações a mais que demissões, resultado de 3,018 mil empregados admitidos ante 2,889 mil colaboradores desligados. Contudo, no acumulado de 12 meses até abril deste ano, o saldo do setor se posiciona como o segundo pior de Mato Grosso, com a extinção de 7,399 mil vagas, resultado de 47,255 mil admissões contra 54,654 mil demissões.

Brasil
Já o mercado de trabalho nacional encerrou 62,844 mil vagas celetista em abril. Este valor foi menor que o registrado em igual mês de 2015, quando 97,828 mil vagas foram encerradas. No acumulado dos 4 primeiros meses deste ano, o país perdeu 378,481 mil empregos formais.
Nos últimos 12 meses, já foram reduzidas 1,825 milhão vagas formais. Os números levam em conta a diferença entre demissões e contratações.
Diferente de Mato Grosso, o setor que mais teve demissões acima do número de contratações foi o do comércio, com saldo de 30,507 mil vagas extintas. Em seguida está a construção civil, que registrou saldo negativo de 16,036 mil vagas.
Na contramão das demissões, a agricultura foi o setor que mais registrou contratações, com 8,051 mil carteiras assinadas a mais em abril, seguido pela administração pública, que contratou 2,255 pessoas a mais que demitiu.
Em apenas seis estados houve aumento do emprego formal em abril deste ano: Goiás (5.170), Minas Gerais (3.886); Distrito Federal (1.202); Mato Grosso do Sul (919); Espírito Santo (466) e Amapá (50). Divulgado desde 1992, o Caged registra as contratações e as demissões em empregos com carteira assinada com base em declarações enviadas pelos empregadores ao Ministério do Trabalho.

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