Servidores de MT fecham rodovias para cobrar RGA

Patrícia Helena Dorileo, repórter do GD

Os servidores públicos em greve geral fecharam a BR-364 e a BR-070 no km 734, nesta quinta-feira (02). Caminheiros estão proibidos de avançaram na estrada, o congestionamento já chega a 10 km nos dois sentidos da rodovia que liga Cuiabá a Rondonópolis. Apenas carros de passeio e ambulâncias estão sendo liberados. Os manifestantes permanecerão no local até as 14h.
Eles realizaram uma carreata do monumento Ulysses Guimarães, na avenida do CPA em Cuiabá, até a rodovia, em frente ao Sinuelo, onde instalaram-se. O objetivo é pressionar o governo para pagar a Revisão Geral Anual (RGA), bem como chamar a atenção dos motoristas que passam por ali sobre a taxação das commodities no Estado.
“A BR-364 foi a escolhida porque é a espinha dorsal do Estado", diz Edmundo César Leite, presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig). O Fórum Sindical defende uma conversa entre representantes do setor do agronegócio e do governo para buscarem novas receitas.
"70% do que sai da produção à custa da degradação da natureza não se paga nada em imposto. Vem tudo depois em forma de fundo de exportação, que inclusive o governo federal bem atrasando com o governo estadual. E o que fica no mercado interno paga apenas 3%, enquanto a população mato-grossense paga taxas altíssimas de IMCS nos servidos prestados", explica Oscarlino Alves Junior, presidente do sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sisma-MT).
Ainda é reiterado pelo Fórum Sindical que o argumento do governo para não pagar a Revisão Geral Anual (RGA) integralmente na folha de maio não é válido. “O Estado está muito bem economicamente. A gente sabe dos números. Existe uma crise nacional, mas nós não aceitamos ser comparados com os demais Estados. Os campos, a produção e a arrecadação só têm aumentado”, complementa o presidente do Sisma-MT.
Alguns caminhoneiros parados desaprovaram o movimento, mas o presidente do Sinpaig pede a compreensão. “O nosso trabalho aqui não é apenas por causa do salário do servidor. É para melhorar a vida do trabalhador, melhorar a sociedade. É chato e revoltante, eu sei que é, mas mais tarde eles vão entender”, afirma Edmundo.
Está agendada para hoje às 16h uma reunião entre Fórum Sindical e representantes do governo do Estado para tentarem entrar em um consenso e debaterem o pagamento da RGA, e esta discussão da taxação das commodities será levada à mesa. “A gente percebe que alguns veículos que são de empresários do agronegócio passam e nos vaiam. É este público que precisamos atingir mesmo. Então, é sentar com o governo e começar a contribuir de forma mais incisiva. Nós estamos abertos ao debate”, finaliza Alves. 

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