Júri absolve homem acusado de violentar e matar criança em 2014

Andréia Fontes, editora de A Gazeta

Uma investigação policial cheia de lacunas, baseada em presunções. Uma testemunha que, em plenário, afirma que não pode afirmar que viu o acusado com a vítima, porque não quer participar de uma injustiça. Outra testemunha que diz que ouviu dizer que o réu foi quem matou a criança. Um investigador de polícia que garante não poder atribuir a autoria do crime àquele réu. Um homem, preso há um ano e oito meses, acusado de matar e supostamente violentar sexualmente uma criança de oito anos. O desfecho: a absolvição no tribunal do júri, realizado em Lucas do Rio Verde, por faltas de provas que assegurassem a participação de R.S. na morte de Ana Carolina Feitosa, que desapareceu no dia 18 de dezembro de 2014, após sair da casa da avó materna, quando seguia para a casa do pai, a cerca de 800 metros, aonde nunca chegou.
Mas o Ministério Público do Estado garante que o caso não acaba por aqui. O promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro informou que vai requisitar à Polícia Judiciária Civil o complemento das investigações para apurar a autoria do crime.
As investigações, que culminaram com a prisão do acusado, com a denúncia por homicídio qualificado, com a pronúncia e com a realização do júri popular na última semana foram embasadas, principalmente, nos depoimentos de testemunhas que afirmavam ser ele o autor do crime. Três delas garantiram na delegacia que viram o réu com a vítima no dia do desaparecimento. A outra, um presidiário, garantia que tinha informações que o autor era R.S. Duas testemunhas voltaram atrás sobre o reconhecimento do acusado ainda na fase de inquérito e processo, mas um primo da vítima mantinha a versão, assim como o preso. Mas no dia do júri popular, ao prestar depoimento, o primo da vítima afirmou que não queria participar de uma injustiça e não podia afirmar que viu o réu com sua prima naquela noite. Á época dos fatos ele era adolescente e usuário de drogas.
O presidiário, que mantinha a versão de que o réu era autor do crime, disse que ouvi dizer, que era o comentário que ele era.
Um investigador de Polícia, que atuou no caso, ao ser ouvido em plenário, afirmou que, infelizmente, na investigação existiam lacunas e, por isso, não poderia atribuir a autoria daquele crime ao réu.
R.S., preso desde janeiro de 2015, sempre negou o crime. Réu primário, pai de duas meninas, sempre afirmou que seria incapaz de cometer tamanha brutalidade. “Diante da fragilidade comprobatória, o Ministério Público pediu a absolvição do réu”, destacou o promotor Caio Loureiro, que somente atuou no plenário do Júri neste caso, não tendo acompanhado a fase da denúncia e pronúncia.
Entretanto, o promotor ressaltou que vai acompanhar, a partir de agora, as investigações que serão solicitadas à Polícia Civil, lembrando que estas serão em relação a outros possíveis acusados, pois pela lei brasileira, o primeiro suspeito foi absolvido, não podendo ser julgado novamente pelo mesmo crime.

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