Pesticida no achocolatado matou criança

Keka Werneck, repórter do GD

O menino Rhayron Christian da Silva Santos, de 2 anos, que morreu há uma semana, dia 26 de agosto, 15 minutos após tomar um leite achocolatado de caixinha, foi envenenado com pesticida agrícola.
A informação foi repassada na tarde desta quinta-feira (01) em entrevista coletiva à imprensa na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Equipe de investigação explicou como tudo aconteceu.
O plano
Adônis José Negri, de 61 anos, morador do bairro Parque Cuiabá, querendo evitar que o ladrão Deuel de Rezende Soares, 27, continuasse a furtar a dispensa de sua casa, tramou um plano para matá-lo envenenado. Ele já estava irritado com Deuel, que tem mais de 10 passagens policiais por furtos e foi apontado pela Sesp como usuário de drogas, que subtraía alimentos em residências e comércios da região.
Da última vez que agiu, Deuel furtou cinco caixinhas de achocolatados na geladeira de Adônis e, sem saber do plano de assassinato, não bebeu e sim as vendeu por R$ 10 ao pai de Rhayron, Lázaro Figueiredo .
O delegado Eduardo Botelho, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) que conduz o inquérito do caso, explicou que Adônis usou seringa ou objeto similar para injetar pesticidas utilizados para controle de pragas em lavouras e que também é comumente usado, na cidade, para matar rato.
O veneno agrícola escolhido para a execução do homicídio é tão forte que o “tio” do menino, Alan José, que também tomou o achocolatado, mesmo sendo adulto e tedo corrente circulatória bem maior, ficou internado até esta quarta-feira (31), passando por lavagem e depuração orgânica.
Os crimes
Adônis vai responder crimes de homicídio qualificado por envenenamento contra o menino e tentativa de homicídio também qualificado por envenenamento contra o tio dele, Alan José. E Deuel, somente por furto, porque ficou comprovado que não sabia estar vendendo produto alterado.
O pai da criança pode responder criminalmente por receptação se ficar comprovado, ao final do inquérito, que ele sabia estar comprando produto de furto.
Laudo toxicológico
O perito Diego Viana, que fez os exames laboratoriais que comprovaram o envenenamento e identificaram o pesticida, relata que ele não tem cheiro e que visualmente não teria como perceber a alteração.
Disse ainda que o antídoto para ele seria a atropina , mas que não houve tempo de usá-la, porque o menino é muito pequeno e o veneno correu muito rápido na corrente sanguínea dele.
Os pais
O delegado afirmou, na coletiva, que seria difícil para os pais perceber a perfuração minúscula na caixinha de achocolatado, mas que se fosse apertado provavelmente notariam o vazamento. Ele não vê negligência nesse caso e diz que a mãe da criança, Dani Cristina Perpetua da Silva, deu um depoimento muito chocada e em luto pela perda do filho.
Embora o pai seja usuário de crack, conforme apurou o delegado Botelho, não é possível afirmar que na casa, onde a criança morava com os pais, funcionava uma boca de fumo.
Interdição
O lote do achocolatado Itambezinho interditado nacionalmente por medida cautelar ainda não foi analisado em laboratório e segue interditado.
A coordenadora da Vigilância Sanitária, Juliana Almeida, explica que não foi encontrada em Mato Grosso nenhuma unidade do produto produzido em Minas Gerais e que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fará a apreensão para os devidos testes e posterior liberação, caso fique realmente comprovado que está tudo ok com o achocolatado.
Diante da confirmação oficial de que o que matou Rhayron foi o pesticida e não qualquer componente do achocolatado, a Itambé emitiu nota, dizendo que jamais teve problemas com este produto.
A empresa se dispôs a ajudar no deslinde do caso, desde o início, mostrando-se solícita.
A coordenadora da Vigilância Sanitária afirma que na rotina muitos produtos são alvo de interdição cautelar, até a apuração de qualquer problema relativo a eles e que as empresas estão cientes do risco de passar por uma situação como esta, apesar dos prejuízos para a imagem.
Segundo a coordenadora,não tinha como tomar atitude diferente da interdição temporária, mediante um caso de tamanha gravidade, envolvendo a morte de uma criança.
Confira a nota da Itambé na íntegra
Comunicado Itambé
Nesta quinta-feira (1/9), a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá efetuou a prisão de duas pessoas acusadas de envenenar uma criança em Cuiabá. Desta forma, a polícia esclarece o episódio e descarta qualquer problema de contaminação do produto Itambezinho.
A Itambé reforça que desde o dia 25/05, data de fabricação do lote em questão, já foram comercializadas mais de 5 milhões de unidades e não foram registradas reclamações de nenhuma natureza.
A empresa lamenta o ocorrido, se solidariza com a dor da família e reforça seu compromisso com os consumidores brasileiros ao entregar produtos da mais alta qualidade. 

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