Deputado comprou Porshe com propina da AL

Rafael Costa, repórter do GD

As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na segunda fase da Operação Ventríloquo identificou que o deputado estadual Mauro Savi (PSB) é suspeito de ter usado parte dos R$ 484 mil que recebeu de um desvio de R$ 9,480 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa para comprar um veículo Porshe Cayene ano/modelo 2011 de propriedade do empresário Valdir Piran, dono de factoring em Mato Grosso.
Gazeta Digital

Transação de veículo do empresário Valdir Piran com deputado Mauro Savi é suspeita, diz MPE.
A suspeita dos promotores de Justiça é que o procedimento serviu para lavagem de dinheiro.
De acordo com a denúncia criminal, o deputado Mauro Savi utilizou três cheques do advogado Joaquim Mielli e depositou na conta bancária do filho do empresário, Valdir Agostinho Piran Junior.
No dia 29 de abril de 2014, houve três depósitos de R$ 28 mil, R$ 90,5 mil e R$ 90 mil, totalizando a quantia de R$ R$ 208,5 mil.
Posteriormente, o veículo foi transferido para sua cunhada, Leila Clementina Sinigaglia Daroit, esposa do empresário Valdir Daroit, cunhado e sócio do deputado Mauro Savi na propriedade da Fazenda Curió, no município de Rosário Oeste.
Na denúncia criminal, a suspeita dos promotores de Justiça é que o veículo tenha sido adquirido para uso do deputado Mauro Savi e registrado em nome da cunhada ou se tratou de uma transação financeira liderada pelo parlamentar para quitar uma dívida com cunhado e sócio Valdir Daroit.
Por outro lado, é assegurado que está devidamente comprovado que Valdir Darot e Leila Daroit de forma habitual, ocultaram e dissimularam a natureza, origem, localização e movimentação de valores desviados da Assembleia Legislativa.
A Operação Ventríloquo, desdobrada em duas fases, revelou a suspeita de um desvio de R$ 9,480 milhões dos cofres do Legislativo por meio de uma fraude em um pagamento que deveria ser destinado a quitação de uma dívida com o HSCB Seguros.
A denúncia criminal na qual são atribuídos a suspeitas de crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro aos deputados Mauro Savi, Romoaldo Júnior e Gilmar Fabris e outras nove pessoas foi oferecida ao Tribunal de Justiça pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) em razão do foro por prerrogativa de função na esfera criminal assegurado aos parlamentares.
Caberá ao pleno do Judiciário, composto por 30 desembargadores, decidir se acata ou não a denúncia criminal.
A peça foi assinada pelos promotores de Justiça Antônio Sérgio Cordeiro Piedade, Marco Aurélio de Castro, Samuel Frungilo e Marcos Bulhões dos Santos. 

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