Avião com 653 kg de cocaína decolou de fazenda do Grupo Amaggi

 A fazenda Itamarati Norte, em Campo Novo do Parecis (396 Km a Noroeste de Cuiabá), de onde decolou um avião bimotor, matrícula PT-IIJ, carregado com 653 quilos de cocaína, é uma das sedes de plantio de soja do Grupo Amaggi, de propriedade do senador licenciado e ministro Blairo Maggi (PP). A aeronave foi interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB), que usou um caça A-29 Super Tucano para perseguir o invasor no espaço aéreo mato-grossense neste domingo (25). 
No site da Amaggi, a fazenda Itamarati Norte é citada como um dos lugares onde há super colheita de grãos, que até mesmo já foram exibidas em rede nacional de televisão. Na página da internet, consta o endereço da filial, que fica na BR-364, entroncamento com a MT-170, em Campo Novo do Parecis.
Reprodução
Gazeta Digital telefonou para o telefone indicado na página da internet, mas não conseguiu contato. 
Por meio de nota, o Grupo Amaggi informou que soube do caso pela imprensa e que não tem qualquer relação com a aeronave interceptada pela FAB. A empresa aguarda o fim das investigações sobre a propriedade do bimotor e as circunstâncias em que ele teria pousado e decolado a partir de uma das 11 pistas da Fazenda Itamarati sem sua autorização.
A Amaggi também afirmou que o município de Campo Novo do Parecis tem sido vulnerável à ação de traficantes de drogas, por conta da proximidade com a fronteira com a Bolívia, o que deixa expostas também as fazendas da região. A nota destaca que em abril deste ano, deu apoio à uma operação da Polícia Federal, quando uma aeronave clandestina pousaria em uma das pistas da fazenda e que está a disposição das autoridades para prestar o apoio necessário às investigações. 
 
Divulgação/PM de Goiás

Aeronave carregada com cocaína fez pouso forçado em município de Goiás e piloto fugiu
De acordo com a Aeronáutica, o bimotor carregado de cocaína que partiu da fazenda Itamarati Norte voava com destino a Santo Antônio de Leverger (34 a Sul de Cuiabá), mas, após invadir o espaço aéreo brasileiro, foi interceptado no município de Jussara (GO) pela aeronave de defesa aérea A-29 Tucano da FAB, às 13h17 de domingo.
O piloto de defesa interrogou o piloto do bimotor e ordenou que ele mudasse sua rota e fizesse o pouso obrigatório no aeródromo de Aragarças (GO).
O piloto do bimotor seguiu as instruções até determinado ponto, mas, ao invés de pousar no aeródromo, arremeteu. Após nova ordem de pouso, ele desobedeceu o piloto da FAB, que executou um tiro de aviso para forçar o invasor a cumprir suas determinações e foi novamente afrontado.
O avião bimotor então fez um pouso forçado no município de Jussara, interior de Goiás, onde um helicóptero  da Polícia Militar daquele Estado foi acionado e fez buscas no local. Porém, a tripulação do bimotor fugiu e até o momento o piloto não foi identificado e nem preso.
Dentro da aeronave interceptada, foi encontrada a carga de 653,1 quilos de cocaína, avaliada pela Polícia Militar de Goiás, em aproximadamente R$ 13 milhões.
         Assista ao vídeo gravado por policiais após pouso forçado do avião cheio de cocaína
               
Confira a nota da Amaggi na íntegra:
A respeito das informações divulgadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) no último domingo (25) dando conta da interceptação de uma aeronave carregada de entorpecentes que teria decolado de uma pista localizada na fazenda Itamarati, arrendada pela AMAGGI, a companhia vem a público informar que:

Tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e aguarda o desenrolar das investigações sobre a propriedade da aeronave e as circunstâncias exatas em que ela - conforme afirma a FAB - teria pousado na Fazenda Itamarati e decolado a partir de uma de suas pistas;
A empresa não tem qualquer ligação com a aeronave descrita pela FAB e não emitiu autorização para pouso/decolagem da mesma em qualquer uma de suas pistas;
Localizada em Campo Novo do Parecis, a parte arrendada pela AMAGGI na Fazenda Itamarati conta com 11 pistas autorizadas para pouso eventual (apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente) localizadas em pontos esparsos de 54,3 mil hectares de extensão;
A região de Campo Novo do Parecis tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas, dada a sua proximidade com a fronteira do Estado de Mato Grosso com a Bolívia;
Tal vulnerabilidade acomete também as fazendas localizadas na região. Em abril deste ano a AMAGGI chegou a prestar apoio a uma operação da Polícia Federal (PF), quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 kg de entorpecentes (conforme noticiado à época) em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da AMAGGI, a qual resultou bem-sucedida.

A AMAGGI se coloca à disposição das autoridades para prestar todo apoio possível às investigações do caso.

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