Operadoras entregam ao TJ dossiê com telefones grampeados

Karine Miranda, repórter do GD

As operadoras de telefonia celular já encaminharam ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ) a documentação necessária para que se possa identificar para quais sistemas do Guardião foram direcionadas as escutas telefônicas autorizadas por magistrados e identificar quem comandou os "grampos" ilegais no Estado.
As informações das operadoras foram solicitadas pelo presidente do TJ, desembargador Rui Ramos, para apurar a denúncia em relação à existência de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Policia Militar de Mato Grosso, realizadas por meio do esquema conhecido como “barriga de aluguel”.
Marcus Vaillant

Operadoras de telefonia entregam dossiê ao TJ a pedido do desembargador Rui Ramos
De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça, toda a documentação foi entregue ao Judiciário e encaminhada ao desembargador Orlando Perri, que será responsável pela investigação das interceptações. Ele já decretou segredo de justiça para o caso Ele já decretou segredo de justiça para o caso e, por isso, não divulgou qualquer detalhe sobre os relatórios enviados pelas empresas.
Através das informações das operadoras será possível descobrir quem operou o sistema Guardião que resultou em pelo menos mil grampos ilegais contra magistrados, políticos, servidores, médicos e jornalistas. 
O Guardião é um sistema de software e hardware de interceptação telefônica de alta tecnologia. A operadora disponibiliza o sinal para o software, que é o que faz o desvio da chamada. Desse modo, quando toca no telefone do interlocutor, toca automaticamente o telefone que está autorizado judicialmente para receber a interceptação. Apenas o Ministério Público do Estado, sob tutela do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Polícia Militar e a Polícia Civil tem acesso ao sistema em Mato Grosso.
Até o momento, o cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior e o ex-comandante da PM, o coronel Zaqueu Barbosa, estão presos sob a acusação de agir supostamente em nome do Núcleo de Inteligência da PM para “grampear” ligações com a finalidade de espionagem política.
Os delegados Flávio Henrique Stringueta e Alessandra Saturnino também foram apontados como responsáveis pelas interceptações no âmbito da Polícia Civil, segundo investigações da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Além de solicitar informações a operadores, internamente o Judiciário já vem agindo. A Corregedoria-Geral expediu ofícios a todos os juízes que tenham pedido ou autorizado a realização de interceptações telefônicas desde 2014.
A presidência do tribunal também pediu informações sobre interceptações que tenham sido subsidiadas por relatórios do núcleo de inteligência da Polícia Militar. O objetivo é realizar uma espécie de devassa nas decisões dadas pelos magistrados a fim de identificar se houve ou não a conivência do Judiciário nos grampos.
O caso dos grampos só veio à tona em denúncia do promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança, Mauro Zaque. Além do TJ, o caso é investigado também pela Procuradoria-Geral da República, Secretaria de Segurança Pública e a própria PM, que instaurou um inquérito militar para apurar o envolvimento de militares no caso.

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