Onça pintada é flagrada próximo ao centro de Sinop

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instalada em Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá), divulgou nesta terça-feira (18) o registro de uma onça pintada adulta, feito por uma das armadilhas fotográficas instaladas na reserva legal de reflorestamento, localizada há cerca de 10 km do Centro da cidade.
O assessor de imprensa Gabriel Faria, falou ao  que o sistema fotográfico faz fotos permanentes do local, mas somente uma vez ao mês as cenas são coletadas. Quando os pesquisadores foram apurar as imagens, veio a surpresa com o registro que foi feito na última terça-feira (11), por volta das 17h.
“Os pesquisadores já investigavam a presença da onça pintada na reserva, porque já tinham visto pegadas do animal em diversos pontos do parque. Eu mesmo já vi onça parda pela reserva, mas pintada nunca tinha visto”, disse o assessor.
Ele explicou que, por um lado, existe a preocupação com a segurança das pessoas que transitam pelo campo e do gado, mas, por outro, a confirmação da  presença do felino é um sinal positivo para a pesquisa, que avalia diferentes formas de recomposição de reserva legal e de como a fauna e flora retomam a ocupação das áreas antes desflorestadas.
“Isso mostra que o reflorestamento está sendo eficiente para a retomada da fauna e flora no local, então ecologicamente é um bom sinal. Além disso, raramente estes animais atacam humanos, é mais comum atacarem outros animais”, disse Gabriel.
De acordo com o biólogo Patrick Lazari, responsável pelo monitoramento da fauna no experimento, dificilmente essa onça tem sua moradia no local do registro da foto. Como a mata que passa na Embrapa segue um curso d’água e se liga ao rio Teles Pires, com grande extensão de mata ciliar, ela a usa como um corredor de passagem.
“Por mais que tenha curral com gado ali próximo, como até hoje não se registrou nenhum ataque, é sinal que ela não está ali pelos bovinos. Até porque na região ainda têm muitos animais que são presas para ela, como cateto e queixada”, afirmou.
Trabalhos de rastreamento feito com onças pintadas mostram que os animais chegam a circular por um raio de mais de 100 km. 
Outros registros
O assessor explicou que este registro fotográfico da onça pintada faz parte do monitoramento da fauna no experimento de restauração de reserva legal.
As câmeras foram instaladas há dois meses no parque e registraram diversos animais como quati, tatu peba, tamanduá bandeira, lobinho, anta e ouriço, mas este é o primeiro flagrante de onça pintada pelas lentes dos pesquisadores.
Além dos médios e grandes animais, outros grupos de pesquisadores têm feito o acompanhamento da fauna de insetos, répteis, anfíbios e da microbiota do solo na área de recomposição da reserva legal.
O trabalho é coordenado pelo biólogo Patrick Lazari, da Unemat, com apoio da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).
O objetivo desse trabalho é ver como ocorre o retorno da fauna usando diferentes estratégias de revegetação, como plantio de mudas, semeadura direta, semeadura a lanço e regeneração natural.
Ao mesmo tempo são feitas avaliações sobre o desenvolvimento das árvores, diversidade de espécies e avaliação econômica das diferentes estratégias de recomposição da reserva legal. 

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