Alunos tomam chuva em salas improvisadas há mais de 1 ano

Keka Werneck, repórter do GD
Mais de 700 alunos com idades entre 6 e 14 anos, da Escola Estadual 31 de Março, em Canarana (823 Km a Leste de Cuiabá), estão tomando chuva em salas de aula improvisadas já há 1 ano.
Fotos comprovam que a situação está complicada.
Diretora da unidade, Valéria Mendes Moreira diz que, em dias de chuva, não tem outra saída a não ser liberar os alunos e que já fez isso pelo menos 2 vezes.
Isso está acontecendo porque o prédio próprio da unidade vinha apresentando rachaduras nas paredes desde 2015. O telhado também vergou, preocupando a direção, professores, funcionários e principalmente os pais de alunos.
De acordo com a diretora, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) foi informada do problema há 2 anos e um representante da secretaria chegou a ir à cidade para verificar problemas educacionais, incluindo este, porém está envolvido na Operação Rêmora, e não vou voltou mais nem deu satisfações.
A Remôra é uma investigação do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e que descobriu esquema de corrupção dentro da Seduc, desviando dinheiro de obras de escolas e favorecendo empreiteiros. A operação forçou a exoneração do então secretário da pasta, Permínio Pinto, que chegou a ser preso e agora responde em liberdade.
Interdição
Como a Seduc não resolveu a situação perigosa de imediato, a diretora diz que a comunidade escolar pediu ajuda ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que emitiu laudo desfavorável, confirmando o risco.
"O laudo nos assustou, mas o problema é visível", comenta a diretora Valéria. Em dezembro do ano passado, após várias reuniões na escola, pais de alunos se revoltaram e, em protesto, fecharam a unidade. Por conta própria, também arranjaram outro lugar para os filhos estudarem.
Mãe de uma aluna de 11 anos reclama que é abursdo deixar alunos tomar chuva e não tem como aprender direito assim. Ela, que está acompanhando esta situação desde o ano passado e preferiu não dar o nome para não se expor, explica que, indo à escola levar a filha para a aula e ao participar de reuniões foi percebendo que as paredes estavam rachando e o telhado ameaçando cair em cima das cabeças.
"Podia acontecer uma tragédia, dessas que a gente vê nos noticiários", comenta. Sendo assim, tirar as crianças de lá seria medida de segurança. As salas improvisadas atendem crianças e adolescentes do 1º ao 9º ano. Ficam no parque de exposições.
São cobertas por telha de zinco e fechadas por paredes de tapumes. Além de quente, a estrutura não barra chuva. Aparelhos de ar condicionado também não funcionam bem nestas salas porque elas não são devidamente vedadas.
O prédio original da Escola Estadual 31 de Março é antigo e central, foi construído 1972. Esta é a primeira escola da cidade, fundada oficialmente em 1975 e que hoje tem 18 mil habitantes.
A obra de recuperação do prédio antigo está em andamento, mas conforme apurou o Gazeta Digital, muito devagar.
Outro lado
O atual secretário de Educação, Marco Marrafon, chegou a anunciar na cidade que a escola seria reconstruída em breve. “Percebemos que se trata de uma escola histórica e que não têm mais condições de receber reparos ou reformas, mas sim uma nova estrutura para assegurar educação de qualidade a cada um desses 700 alunos que aqui estudam”, disse Marrafon, na terceira edição da Caravana da Transformação, realizada no município pelo Governo do Estado, isso em novembro do ano passado.
Gazeta Digital procurou a Seduc para saber sobre a situação dos alunos, que continuam em salas improvisadas e nesta época do ano tomando chuva, e a Secretaria ficou de emitir nota sobre o assunto.

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