Empresário ganha propina de empresa que instalou programas piratas na Seduc-MT

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O empresário Alan Malouf é apontado como um “facilitador” de pagamentos para empresas que tinham dívidas a receber do Governo do Estado na atual gestão em troca de um percentual em propina. A informação foi prestada pelo ex-secretário de Indústria e Comércio e da Casa Civil, Pedro Jamil Nadaf, em delação premiada junto a Procuradoria Geral da República. 
Segundo Nadaf, o dono do buffet Leila Malouf arrecadava dinheiro com empresários para pagar dividas da campanha do governador Pedro Taques (PSDB) no ano de 2014. Em um dos depoimentos, Nadaf revelou ter sido questionado por Malouf se ele tinha conhecimento de empresas que prestavam serviços ao Estado e que tinham dinheiro para receber dos cofres públicos.
Nadaf contou que era próximo a Alan Malouf, que lhe contou que estava em busca de recursos para pagar o “investimento” feito na campanha do governador tucano. O ex-secretário afirmou ter indicado a empresa Avançar Tecnologia em Software Ltda, que atuava na gestão de Silval Barbosa (PMDB). ]
O contrato era na secretaria de Educação, pasta que foi comandada por Permínio Pinto (PSDB) que foi preso durante a "Operação Rêmora" logo após ser demitido do cargo. “Por volta de fevereiro do ano de 2015, em uma das reuniões que teve com seu amigo Alan Malouf, na qual analisaram as possibilidades existentes de se buscar meios para saldar os débitos da campanha eleitoral de 2014, através de recebimento de propinas, o declarante sugeriu uma empresa que havia prestado serviços na Secretaria de Estado de Educação, pois era do conhecimento do declarante que a empresa tinha recursos a receber do Estado, provenientes de serviços prestados no ano de 2014, a saber, a empresa Avançar Tecnologia em Software LTDA”, contou.
Nadaf ainda relatou que a empresa, por meio de seu proprietário chamado “Weidson”, já havia pago propinas durante o governo Silval. Porém, não soube precisar ao então amigo Alan Malouf o valor que que ainda tinha para receber.
Na delação, ele pontua ter intermediado um encontro entre o proprietário da empresa e Malouf para ambos conversarem sobre a suposta facilitação de recebimento do governo. No entanto, não acompanhou a reunião e não soube dizer se eles fecharam algum acordo. “Posteriormente, o declarante perguntou a Alan Malouf sobre como tinha sido a reunião, tendo ele dito que estava com as informações passadas pelo empresário e que iria se inteirar da situação acerca do pagamento devido pelo governo e que depois iria voltar a se reunir com Weidson de Tal, a fim de lhe repassar uma posição”, afirmou.
O ministro Fux, ao homologar a delação do ex-secretário, determinou o desmembramento e remessa a Sétima Vara Criminal de Cuiabá, por não haver nenhuma autoridade com prerrogativa de foro envolvida. Nadaf hoje está em liberdade após fazer um acordo para devolver R$ 17 milhões aos cofres públicos.
No ano de 2016, a Controladoria Geral do Estado (CGE) e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) abriram um processo administrativo contra a empresa Avançar Tecnologia em Software Ltda com a suspeita de instalações de softwares Windows piratas em computadores de escolas. A empresa recebeu, ao todo, R$ 10 milhões de Mato Grosso.

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