'Pai reagiu ao assalto e foi morto', diz delegado

Keka Werneck, repórter do GD

Foi latrocínio o caso do pai morto e do filho baleado, ambos caminhoneiros, registrado na madrugada do dia 12 deste mês, na casa deles, no bairro Jardim Industriário em Cuiabá.
O pai Orlando Moraes de Arantes, 54, reagiu a um assalto à mão armada, disparou e acabou sendo atingido, não resistindo e morrendo no local.
Já o filho, Orlando Moraes de Arantes Júnior, 24, também foi atingido, levado ao Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC), onde continua internado, mas fora de risco de morte.
Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da capital apresentou nesta quarta-feira (17) de manhã 2 acusados pelo crime, Fábio Ferreira Santos, 28, e Enadiel Costa Silva, 20, presos, por ordem judicial.
Delegado Caio Fernando Álvares de Albuquerque, da Derf, que preside o inquérito do caso, detalha que no dia do assalto os 2 acusados foram ao local do crime, armados, com revólver calibre 38 e uma pistola, entraram na casa, já que o portão não estava trancado e anunciaram o assalto.
O pai estava no quarto dormindo e acordou com os ladrões, sendo rendido e levado para sala. O filho chegou da rua, guardou o carro na garagem e esqueceu de colocar o cadeado no portão, já que era de costume deixá-lo aberto, não se importando muito com isso. Já ia entrando na sala, quando ouviu um barulho e voltou do lado de fora para trancá-lo. "Quando estava passando o cadeado, já foi também rendido pelos indivíduos que estavam dentro da casa", detalha o delegado.
Em um descuido dos ladrões, o pai pegou uma arma que estava embaixo do travesseiro e atirou, mas não acertou.
No revide o pai foi atingido em 4 locais, no pescoço, ombro e na região lombar. O filho foi atingido na barriga.
Esta arma é que era o alvo dos assaltantes, que moram nas proximidades do Jardim Industriário e tinham conhecimento dela.
Em interrogatório, um deles, o Enadiel, confessou que foi chamado pelo amigo, Fábio, para "fazer uma fita dada, mas que houve revide", como consta nos autos do inquérito. Ele tem uma condenação por receptação e responde a uma ação criminal também por receptação. Além disso, se coloca como membro da organização criminosa Comando Vermelho.
Já Fábio nega o crime e tentou dar um álibi, não confirmado por investigadores da Derf. Ele responde uma ação por violência contra mulher.
O filho que sobreviveu, ainda no hospital, fez o reconhecimento dos 2 acusados já em 2 situações, inclusive vendo vídeo deles e formalizou o reconhecimento.
Os caminhoneiros não têm passagem policial e tinham a arma em casa, conforme a Derf, para defesa pessoal. No entanto, não há o registro dela.
Quando foram presos, um dos acusados, o Fábio, estava no trabalho, e Enadiel, andando na rua.
Após serem apresentados, saíram da Derf sem falar com a imprensa, algemados, para audiência de custódia, de onde seriam encaminhados ao sistema prisional.

Delegado Caio Fernando apurou o caso
Enadiel e Fábio foram acusados pelo latrocínio: queriam a arma da família

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